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  • 09/09/2017
  • 10:56
  • Atualização: 11:04

Próxima colheita de soja será menor que a deste ano

Previsões de diversos órgãos indicam que safra sofrerá impacto da contenção dos investimentos

Soja poderá ocupar parte da área que foi reservada ao milho no ano passado | Foto: Alina Souza / CP

Soja poderá ocupar parte da área que foi reservada ao milho no ano passado | Foto: Alina Souza / CP

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  • Correio do Povo

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projetou uma redução de 6,14% na produção brasileira de soja no ciclo 2017/2018 em relação à safra 2016/2017. Pela estimativa, o país deverá produzir 107 milhões de toneladas e não repetirá as 114 milhões de toneladas colhidas deste ano. A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e a Emater concordam com a tendência de baixa. De acordo com a Abiove, o país deve produzir 4,4% menos e a Emater faz uma projeção de queda de 9,81% na colheita do Rio Grande do Sul, apesar de acreditar que a área plantada poderá aumentar 3,16%, chegando a 5,7 milhões de hectares.

O diretor da Corretora GrãoFortte, de Ibirubá, Valdir José Marques, observa que há dois fortes indicativos para uma produção menor na próxima safra. Um deles é que o produtor vai usar menos tecnologia na lavoura porque sua renda foi menor que a de anos anteriores em função da queda dos preços do grão. O outro é que dificilmente se repetirá o clima do ciclo passado, que foi favorável à soja do plantio até o fim da colheita.

O presidente da Aprosoja/RS, Luis Fernando Fucks, diz que a soja poderá ocupar parte da área que foi reservada ao milho no ano passado. No entanto, reconhece que o possível avanço da área plantada não se refletirá em uma safra maior. Para Fucks, o resultado da safra sofrerá impactos dos custos dos insumos, que se mantém elevados, crédito rural restrito e endividamento do setor. “O produtor não vai investir além do que pode”, prevê.

Para Fucks, quando o produtor colher a safra, no ano que vem, ainda poderá sofrer os efeitos da desvalorização cambial – o dólar, que esteve próximo dos R$ 4 em 2015, era cotado a R$ 3,09 ontem. “Teremos uma receita muito ajustada para bancar todos os custos”, calcula. Marques é mais otimista. Para ele, se o câmbio não desvalorizar mais e a demanda mundial por soja continuar crescendo na faixa de 4%, os preços tendem a ser melhores do que foram neste ano.

Levantamento da Conab indica que a China, o maior consumidor de soja do mundo, esmagará 92,5 milhões de toneladas de grãos em 2017/2018, um aumento de 6,94% em relação à safra passada. Marques acrescenta que a rentabilidade do próximo ciclo vai depender do tamanho da safra norte-americana e de melhorias na logística do Estado, já que a falta de investimento no Porto de Rio Grande se reflete na mobilidade dos caminhões e na renda do produtor. “Nos Estados Unidos, o custo logístico para colocar soja na China equivale à metade do nosso”, compara.


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