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Porto Alegre, quarta-feira, 23 de Agosto de 2017

  • 12/08/2017
  • 07:49
  • Atualização: 11:28

Carlos Araújo morre aos 79 anos em Porto Alegre

Ex-marido de Dilma e ex-deputado estava internado no Complexo da Santa Casa

Carlos Araújo foi político histórico do PDT | Foto: Fabiano do Amaral / CP Memória

Carlos Araújo foi político histórico do PDT | Foto: Fabiano do Amaral / CP Memória

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  • Correio do Povo e AE

O ex-marido de Dilma Rousseff, o advogado e ex-deputado estadual Carlos Franklin Paixão de Araújo morreu aos 79 anos, na madrugada deste sábado, no Complexo da Santa Casa, em Porto Alegre. Ele havia sido internado no último dia 25 de julho com quadro de cirrose medicamentosa. Apresentou infecção generalizada nesta madrugada e não resistiu.

Durante o tratamento, Dilma realizou algumas visitas ao ex-marido. A ex-presidente estava no Rio de Janeiro participando de um evento na Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e já retornou para Porto Alegre. 

Carlos Araújo era político histórico do PDT, partido do qual se afastou no ano de 2000, junto com Dilma e outros correligionários. Ele retornou à sigla em 2013, partido que ajudou a fundar com o ex-governador do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro, Leonel Brizola.

Leia entrevista de Araújo sobre o impeachment de Dilma em 2016

Ex-guerrilheiro, Araújo é reconhecido como um defensor das ideias de esquerda e do trabalhismo. Durante a gestão de Dilma Rousseff na presidência e mesmo após o impeachment, foi uma das pessoas mais próximas da petista.

O velório será na Assembleia Legislativa, das 15h às 21h deste sábado. Em seguida, o corpo será cremado em cerimônia privada com a família. 

O presidente regional do PDT, Pompeo de Mattos, lamentou a morte de Araújo em entrevista para a Rádio Guaíba. "É um dia triste, que vai marcar de forma muito profunda na memória de quem tinha relações com Carlos Araújo", destacou. 

"(Araújo) era uma referência. Foi nosso candidato a prefeito em 1992. Um ativista, homem de articulação muito profunda, de conhecimento político muito relevante. Colocou em risco a sua próporia vida para lutar contra a ditadura militar, ao lado da Dilma Rousseff", lembrou Pompeo de Mattos. "Tinha um convívio muito grande com o (ex-governador Leonel) Brizola. Brizola o ouvia e o respeitava". 

Confira o comunicado médico sobre a morte de Carlos Araújo:

"Com imenso pesar comunicamos o falecimento do Dr. Carlos Flanklin Paixão Araujo. O mesmo ocorreu ao primeiro minuto de hoje, 12 de agosto de 2017, na unidade de tratamento intensivo do Pavilhão Pereira Filho, hospital especializado em doenças respiratórias da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre. Aos 79 anos, era portador de doença pulmonar obstrutiva crônica, complicada por quadro de miocardiopatia dilatada isquêmica.

Internou para manejo de descompensação das condições referidas. Apresentou infecção de vias aéreas inferiores, com necessidade de admissão à unidade de terapia intensiva, uso de ventilação mecânica por insuficiência respiratória. Evoluiu com infecção generalizada, determinando colapso circulatório e, finalmente, refratariedade às medidas, com óbito. Expressamos nossos sentimentos à família e amigos do ilustre advogado e político, perda inestimável e motivo de sofrimento para todos que o conheciam".

História 

Nomeado em homenagem aos comunistas históricos Karl Marx e Luiz Carlos Prestes, Carlos Araújo nasceu em 1938, em São Francisco de Paula, no Rio Grande do Sul. Em contato desde a adolescência com a militância comunista, chegou a participar, em 1958, do Festival Internacional da Juventude, em Moscou, na União Soviética. Lá, se desiludiu com a esquerda após ler sobre as denúncias de Nikita Kruschev sobre os crimes de Joseph Stalin.

Com o golpe de 1964 e a instauração da ditadura militar, passou para a luta armada com o codinome Max. Foi neste período que conheceu Dilma, mais conhecia como Estela. Ambos foram presos e torturados pelas forças militares. Após a redemocratização, voltou a Porto Alegre e se filiou ao Partido Democrático Trabalhista (PDT), de Leonel Brizola, quem já conhecia desde a década de 1960.

Pela legenda, foi eleito para três mandatos de deputado federal entre as décadas de 1980 e 1990. Em 1988 e 1992, se candidatou à prefeitura de Porto Alegre, mas foi derrotado pelos petistas Olívio Dutra e Tarso Genro, respectivamente. Após se afastar do partido em 2000, se reaproximou em 2012, mas permaneceu apenas como conselheiro de alguns nomes.

Repercussões