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Porto Alegre, segunda-feira, 21 de Agosto de 2017

  • 10/08/2017
  • 13:30
  • Atualização: 13:38

Ovos contaminados são recolhidos em operação belgo-holandesa

Ministro belgo acusou país de descuido nas informações sobre presença de fipronil nos ovos fornecidos pelas granjas

Ovos contaminados são recolhidos em operação belgo-holandesa | Foto: Guido Kirchner / DPA / AFP / CP

Ovos contaminados são recolhidos em operação belgo-holandesa | Foto: Guido Kirchner / DPA / AFP / CP

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  • AFP

Autoridades holandesas executaram nesta quinta-feira ordens de busca e apreensão no âmbito da investigação de ovos contaminados com fipronil e distribuídos em vários países da Europa - indicou a Procuradoria, acrescentando que duas pessoas foram presas.

"Há várias apreensões na Holanda, em coordenação com os belgas", declarou a porta-voz da Procuradoria holandesa, Marieke van der Molen. "Os detidos são dois diretores da empresa que provavelmente usou esse produto nos criadouros avícolas", completou Marieke, referindo-se à ChickFriend.

O escândalo é alvo de investigação penal na Bélgica e na Holanda e envolve duas empresas: a holandesa ChickFriend, especializada na desinfecção de granjas avícolas, e seu fornecedor belga, a Poultry-Vision. As batidas começaram depois de o ministro belga da Agricultura, Denis Ducarme, ter acusado a Holanda, na quarta-feira, de descuido no trato das informações sobre a presença de fipronil nos ovos fornecidos pelas granjas do país. Pesticida comumente usado, essa substância pode causar vômitos e problemas neurológicos em doses altas.

A Holanda é um dos maiores exportadores mundiais de ovos. Ducarme afirmou que as autoridades holandesas receberam um aviso sobre o uso de fipronil nas granjas em novembro de 2016. Haia nega a informação.

Segundo o jornal "Het Laatste Nieuws", as batidas foram realizadas em oito endereços em Flandres, no Norte da Bélgica. A maioria é de empresas especializadas na desinfecção de produtos agrícolas. Em outra ação, uma tonelada de ovos líquidos contaminados com fipronil foi encontrada em um armazém na Romênia, anunciou a ANSVSA, autoridade veterinária e sanitária do país. Essa é a primeira vez que os alimentos são localizados no Leste Europeu. Segundo o órgão, os ovos importados da Alemanha não foram postos à venda.

Com a descoberta, sobe para nove o número de países onde foram localizados ovos contaminados. Originada na Bélgica, na Holanda e também em algumas granjas da Alemanha, a crise teve repercussões em outros seis países europeus que importaram esses ovos - França, Suíça, Suécia, Reino Unido e Luxemburgo, além da Romênia - e provocou a retirada preventiva de milhões de unidades dos supermercados.

700 mil no Reino Unido

O Reino Unido importou cerca de 700 mil ovos contaminados pelo uso fraudulento do pesticida fipronil em criadouros de galinhas poedeiras, anunciou a Agência britânica de Segurança Alimentar (FSA, na sigla em inglês) nesta quinta-feira.

"É provável que o número de ovos que chegaram ao Reino Unido seja mais próximo de 700 mil do que dos 21 mil que pensávamos ter importado", publicou a FSA em sua página institucional. Após realizar testes em um supermercado e com fabricantes de produtos processados, o governo de Luxemburgo já havia confirmado, na terça-feira, que "foram vendidos ovos contaminados no mercado luxemburguês", na rede de supermercados Aldi.

O que restava dos dois lotes afetados foi retirado das prateleiras."Um deles não apresenta risco de saúde para o consumidor, e o outro não deve ser consumido por crianças muito pequenas", adverte a nota divulgada pelas autoridades.

O governo anunciou que outra rede de supermercados, a Cactus, também havia sido afetada. Resultados de uma análise de rotina mostraram que um lote procedente de uma propriedade na Holanda continha pequenas quantidades de fipronil.

Duas empresas de catering, a Caterman e a Carnesa, anunciaram, por sua vez, terem recebido entregas de ovo líquido "procedentes de uma propriedade contaminada". Uma parte foi usada na fabricação de produtos. "A última produção na Caterman, com base nesses lotes, aconteceu em 25 de julho, e o prazo de validade dos produtos fabricados está vencido, motivo pelo qual não há mais produtos no mercado", explicou o governo luxemburguês.

Também nesta quinta-feira, a empresa química alemã BASF anunciou que vai deixar de comercializar o fipronil na União Europeia, onde é usado em sementes. "A BASF decidiu, por razões econômicas, não voltar a registrar [o fipronil] para o tratamento das sementes na Europa", explicou o grupo de Ludwigshafen em um comunicado.

Apontado no passado como responsável por uma alta na mortalidade de abelhas, o fipronil é usado na Europa apenas em alguns cultivos, para proteger as sementes de alho-poró, cebola, cebolinha e couve. Ele não poderá mais ser vendido depois de 30 de setembro.

A decisão desta quinta não afeta os tratamentos contra formigas, baratas e cupins, os quais a BASF vai continuar produzindo e são autorizados pela UE até 2023. O fipronil está presente nos produtos veterinários utilizados em animais de estimação contra pulgas, carrapatos e ácaros. A UE proibiu sua aplicação no caso de animais destinados ao consumo.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) considera esse pesticida "moderadamente tóxico" para o homem quando usado em grandes quantidades.