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  • 05/10/2017
  • 16:07
  • Atualização: 17:03

Kazuo Ishiguro: de assistente social a vencedor do Nobel de Literatura

Escritor publicou oito livros desde a década de 1980

Ishiguro ganhou fama mais recentemente com

Ishiguro ganhou fama mais recentemente com "Não me abandone jamais", seu romance de 2005 | Foto: Leon Neal / AFP / CP

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Kazuo Ishiguro, de 62 anos, o romancista britânico de origem japonesa que ganhou o Prêmio Nobel de Literatura nesta quinta-feira, já quis ser uma estrela do rock, depois se tornou assistente social e só mais tarde na vida se voltou para a escrita. Nascido no Japão e criado na Inglaterra falando japonês em casa, sua escrita sempre explorou essa dualidade, algo que ele acredita que contribui para o atrativo de suas obras.

"Sempre olhei para o mundo parcialmente através dos olhos dos meus pais... (e) tinha uma parte de mim que era japonesa", disse ele na quinta-feira no jardim da casa onde mora com sua esposa, no norte de Londres. "Isso foi muito bom para mim como escritor no momento em que eu estava escrevendo, porque a literatura começou a se tornar muito internacional".

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Escritor prodigioso desde o início da década de 1980, Ishiguro publicou oito livros - bem como roteiros para o cinema e a televisão - que foram traduzidos em dezenas de línguas estrangeiras e ganharam um grande número de prêmios. Ishiguro é mais conhecido por "Os vestígios do dia", que ganhou o Prêmio Man Booker de Ficção em 1989 e foi adaptado para o cinema, em um filme com Anthony Hopkins e Emma Thompson que foi indicado ao Oscar.  Mais tarde, ele contou que escreveu o livro em um período prolífico de quatro semanas.

Ele também ganhou fama mais recentemente com "Não me abandone jamais", seu romance de 2005, e "When We Were Orphans", publicado em 2000. Ao atribuir o prêmio, nesta quinta-feira, o Comitê do Nobel observou que Ishiguro era mais associado a temas de lembranças, tempo e auto-ilusão.  Apesar de seu sucesso, Ishiguro costuma mostrar modéstia em entrevistas. "Não sou uma pessoa muito inspirada", disse ele ao Financial Times em 1995. "Não tenho muitas ideias". 

Perguntado sobre o que leva os romancistas a escolherem essa ocupação, muitas vezes precária, ele respondeu: "Não direi que os escritores são pessoas loucas porque não me importo com os estereótipos. Mas algo está suficientemente desalinhado na sua estrutura como pessoas".

Desvio para a escrita

Ishiguro nasceu em Nagasaki, em 1954, mas se mudou para a Inglaterra com cinco anos, quando seu pai começou a trabalhar como pesquisador no Instituto Nacional de Oceanografia. A mudança deveria ser temporária, mas a família se instalou permanentemente em Guildford, uma cidade cerca de 50 quilômetros ao sudoeste de Londres.

Depois de terminar a escola, ele se inscreveu na Universidade de Kent, em Canterbury, onde estudou Inglês e Filosofia.  O autor, que toca piano e violão, disse que sua primeira ambição era se tornar uma estrela do rock, mas em vez disso ele se desviou para a escrita.

"Isso soa muito blasé... mas (escrever) não era necessariamente o que eu queria fazer", disse ao FT na mesma entrevista de 1995. Sua carreira de escritor começou durante uma pausa no seu trabalho de assistente social. Ishiguro tinha se matriculado em um mestrado de escrita criativa na Universidade de East Anglia, onde seu potencial foi observado pela editora Faber, que assinou um contrato com ele.

Ele começou a escrever a tempo integral em 1982, desfrutando de um sucesso de crítica e comercial constante desde então. O vencedor do Nobel revelou nesta quinta-feira que está em negociação para continuar aproveitando suas raízes japonesas de uma maneira talvez inesperada: escrevendo uma novela gráfica. "Esta é uma coisa nova para mim e me reconecta com a minha infância japonesa, quando lia manga", disse.