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  • 03/10/2017
  • 15:33
  • Atualização: 15:48

"Crianças são a grande motivação e os grandes personagens da Jornada", diz reitor da UPF

Evento literário em Passo Fundo vive sua 16ª edição

José Carlos Carles de Souza, Pedro Almeida, Rosani Sgari e Juremir Machado da Silva | Foto: Alina Souza

José Carlos Carles de Souza, Pedro Almeida, Rosani Sgari e Juremir Machado da Silva | Foto: Alina Souza

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  • Luiz Gonzaga Lopes

Durante 1h30min, no início da tarde desta terça-feira, a 16ª Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo e a 8ª Jornadinha migraram para o universo dos ouvintes da Rádio Guaíba, com a apresentação ao vivo do programa Esfera Pública por Juremir Machado da Silva, direto dos Pavilhões do evento, em Passo Fundo. Os primeiros convidados do apresentador, que é uma das atrações da 3ª Festa Literária da Comunicação, foram o reitor da Universidade de Passo Fundo, José Carlos Carles de Souza; a vice-reitora de Graduação, Rosani Sgari, e o secretário de cultura do município, Pedro Almeida.

O reitor ressaltou que as crianças são a grande motivação e os grandes personagens da Jornada. “Ficamos muito tristes quando tivemos que cancelar a Jornada em 2015, mas tentamos reestruturar passo a passo e com um grande trabalho em equipe conseguimos trazer a Jornada de volta, com quatro grandes autores homenageados: Ariano Suassuna, Clarice Lispector, Carlos Drummond de Andrade e Moacyr Scliar”, ressaltou o reitor. A vice-reitora Rosani Sgari destacou a força da UPF na região, abrangendo 100 municípios e a importância da Jornada para a sua missão de educar e de ser comunitária.

O secretário Pedro Almeida lembrou que é um artista, não tem partido, e que a Jornada cumpre o seu papel de falar de literatura, de ser plural, política, de formar e de tratar de vários temas. Ao reitor, Juremir agradeceu a parceria com o Caderno de Sábado, do Correio do Povo, nestes últimos meses e José Carlos devolveu o agradecimento pela ampla divulgação que os veículos Correio do Povo e Rádio Guaíba estão dando a Jornada e à Jornadinha.

No segundo bloco, Juremir recebeu também o coordenador da Flicom, Felipe Pena; a coordenadora da 8ª Jornadinha, Fabiane Verardi Burlamaque; e a vice-reitora de Assuntos Comunitários e Extensão, Bernadete Dal Molin. Felipe Pena lembrou da natureza política da Jornada. “A gente só pode falar de literatura se tratar da realidade. Os jornalistas, professores e pesquisadores de comunicação precisam tratar deste golpe, de um presidente e dois ministros denunciados, um ex-ministro com R$ 51 milhões em malas. Existe uma condução coercitiva da cognição. O jornalismo precisa tratar disto”, observou.

Bernadete Dal Molin reforçou o pensamento de Pena. “As crianças estão aprendendo as diversas leituras da realidade, pois a literatura nos ajuda a ter consciência crítica e elas, com autocrítica e criatividade vão formando a sua consciência cidadã. Só assim a universidade pode fazer sentido para a comunidade”, afirmou. Fabiane lembrou da coletividade de Passo Fundo e da equipe que trabalha na Jornada e Jornadinha. “Todos estão muito envolvidos desde a Pré-Jornadinha, por exemplo, e cada atividade foi exaustivamente preparada para que chegássemos até aqui. Tudo está funcionando como previmos: equipe, atividades, logística, graças a esta equipe maravilhosa e envolvimento da comunidade.

No bloco final, Juremir conversou com o coordenador da Jornada, Miguel Rettenmaier, novamente o reitor da UPF, José Carlos; o diretor do espetáculo de abertura, Piéterson Duderstadt e Luiz Gonzaga Lopes, do Correio do Povo. Miguel Rettenmaier destacou que um dos objetivos da Jornada é o que a literatura pode fazer pela realidade, para formar sujeitos esteticamente sensíveis e também explicou o porquê da escolha dos quatro autores homenageados: Suassuna, Scliar, Clarice e Drummond. “Todos tinham data cheia de aniversário ou morte em 2017. Clarice morreu em 1977 e Drummond, em 1987. Suassuna nasceu em 1927 e Scliar, em 1937. Foi uma conspiração de fatores para que estes fossem os homenageados", disse.

Piéterson explicou que o espetáculo de abertura “Jornada de Livros e Sonhos”, com 130 artistas, é um trabalho do que se chama Novo Circo e que tentou passar o fio condutor da brasilidade entre os quatro autores, com elementos como a chuva de poesias de Drummond, o teatro de sombras para o Centauro no Jardim, de Scliar; o narrador João Grilo e a Compadecida para simbolizar Suassuna e as lendas e o folclore de Clarice contido no livro “Como Nasceram as Estrelas”.