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  • 16/07/2017
  • 20:34
  • Atualização: 21:12

Morre George A. Romero, precursor dos filmes de zumbis

Criador do cult "A noite dos mortos-vivos" faleceu aos 77 anos

Criador do cult

Criador do cult "A noite dos mortos-vivos" faleceu aos 77 anos | Foto: Divulgação / CP

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  • AFP

O cineasta George A. Romero, pai dos filmes de zumbis e criador do cult "A noite dos mortos-vivos" de 1968, faleceu neste domingo, aos 77 anos - informou seu agente.

"Faleceu em paz enquanto dormia, depois de uma curta, mas agressiva luta contra um câncer de pulmão", afirmou o agente do ator, Chris Roe, em um comunicado, acrescentando que "deixa uma família muito carinhosa, muitos amigos e um legado cinematográfico que sobreviveu e sobreviverá à passagem do tempo".

O diretor passou seus últimos anos desiludido com Hollywood. Tentava filmar, porém sem sucesso com o patrocínio. Não que os tenha inventado, porque já havia filmes de mortos-vivos nos anos 1940, mas não no seu estilo realista. Ele inventou o zumbi moderno e quem hoje se impressiona com "Walking Dead" é porque não viu direito "A Noite dos Mortos-Vivos", o clássico de Romero, de 1968.

No Dicionário de Cinema, Jean Tulard diz que "A Noite dos Mortos-Vivos" colocou Romero no interior do "restrito círculo dos mestres de horror". E acrescenta que ele conseguiu tornar verossímil a velha história de ressuscitados graças ao "contexto neorrealista".

Mais que de horror, o filme é 100% político. Nos seus mortos-vivos, Romero conseguiu metaforizar a luta por direitos civis na "América" dos anos 1960. Seu cinema foi sempre assim, político. E por isso ele criticava Hollywood. "Quando fiz Terra dos Mortos, e foi meu filme mais caro, o dinheiro não estava na tela. Só os charutos que Dennis Hopper filmava no set e foram incorporados ao custo da produção saíram mais caro que todo A Noite dos Mortos-Vivos. Hollywood inflacionou-se a si mesma", reclamava.

Romero continuou historiando os EUA através dos mortos-vivos. "The Hungry Wives" (1973), "Zombie, Despertar dos Mortos" (1978), "Day of the Dead" (1986), "Terra dos Mortos" (2005) etc. A cada cinco ou dez anos ele voltava ao tema para, de alguma forma, refletir sobre o que se passava no país. Como diretor, porém, não se limitou a contar histórias de zumbis.

Incursionou pelo cinema de vampiros, mas "Martin", de 1977, está mais para sátira social, embora seja puro "gore". Um garoto de 17 anos pensa que é vampiro, mas como não tem caninos desenvolvidos usa lâminas de barbear para sangrar suas vítimas. E, como participa com frequência de um "late show" na rádio de sua pequena cidade, vira a celebridade local.

Romero não parou por ai. Em "Comando Assassino", de 1988, um macaco treinado para ser guia de um tetraplégico arrasta esse último a uma espiral de violência. Foi seu experimento com o mestre italiano do 'giallo', Dario Argentino. Cada um dirigiu um episódio de "Dois Olhos Satânicos", em 1990. No de Romero, "O Caso do Sr. Waldemar", o cadáver de Harvey Keitel escapa do freezer para perseguir a mulher adúltera. Para quem curtia tanto emoções violentas, Romero, segundo a família, morreu pacificamente, ouvindo sua trilha preferida - a do clássico "Depois do Vendaval", de John Ford, com John Wayne e Maureen O'Hara, de 1952.