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  • 04/08/2017
  • 15:44
  • Atualização: 16:41

Revista nega pedido de Angelina Jolie para excluir trecho de entrevista

Advogados exigiram que Vanity Fair removesse parágrafo em que atriz relata método usado para escolher elenco de filme

Atriz dirigiu e roteirizou o longa

Atriz dirigiu e roteirizou o longa "First They Killed My Father" | Foto: Netflix / Divulgação / CP

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  • Correio do Povo

A entrevista concedida por Angelina Jolie à Vanity Fair, na qual ela relata um método pouco ortodoxo para escolher o elenco para o filme "First They Killed My Father"ganhou mais um capítulo após a diretora do longa rebater a publicação. No início da semana, a atriz e cineasta disse que suas palavras foram mal intepretadas pela repórter e negou que a maneira de casting foi um "jogo psicológico". Nesta sexta-feira, a revista deu a tréplica, contando que os advogados de Jolie entraram com um pedido para que o trecho em questão fosse removido das versões impressa e para a internet. A publicação também informou que a solicitação foi negada.

Segundo a Vanity Fair, os assessores jurídicos ainda exigiram que uma declaração de desculpas fosse publicada como uma errata na edição de outubro, o que foi igualmente recusado. Entretanto, a publicação divulgou em seu site a mensagem que os advogados queriam que fosse divulgada. "Os diretores de elenco mostraram a câmera para as crianças e o material de gravação de som, explicando a eles que eles deveriam atuar para tentar conseguir o papel. As crianças não foram enganadas, como alguns sugeriram. Todas as crianças testadas estavam cientes do aspecto ficcional do exercício e foram supervisionadas o tempo inteiro por parentes ou tutores de organizações não-governamentais. Nós nos desculpamos por qualquer mal-entendido", lê-se no comunicado.

Em resposta à situação, o periódico informou que revisou a gravação da entrevista com o intuito de ver se houve algum erro de interpretação da repórter responsável pelo conteúdo, Evgenia Peretz, e divulgou a trascrição da mesma, a qual pode ser lida abaixo:

"Angelina Jolie: Foi muito difícil encontrar a pequena Loung. E assim chegaram ao que chamam de escolas da favela. Não acho que seja um bom nome, mas é uma escola para crianças em áreas muito pobres. As crianças não sabiam. Nós simplesmente chegamos... Você chega e faz as audições com as crianças. E não é exatamente uma audição quando é com crianças. Nós criamos um jogo. Eu não estava lá e eles não sabiam exatamente o que estávamos fazendo. Eles (os diretores de elenco) disseram que trariam uma câmera e que brincariam com as crianças. O jogo para a personagem seria colocar dinheiro em uma mesa, pedir para as crianças pensarem em algo para o qual elas precisariam do dinheiro. Às vezes era dinheiro, às vezes era um biscoito. E então, pediram para elas pegarem e aí, eles capturariam as crianças. 'Nós vamos pegar vocês no flagra e vocês vão ter que dizer que não pegaram o dinheiro, vão ter que mentir'. Então foi muito interessante ver essas crianças e o que elas fariam... Algumas tinham muita consciência da câmera. Existem muitas crianças talentosas naquele país. Mas Srey Moch foi a única que olhou para o dinheiro durante muito, muito tempo antes de pegar, e então, brava e corajosamente mentiu, tentando esconder, mas ela também...

Evgenia Peretz: Espera. Esta é a garota, Loung.

Angelina Jolie: Sim. Então, quando ela foi forçada a devolver o dinheiro, ela ficou muito emocionada, foi inundada pela emoção, todos esses sentimentos voltaram de uma só vez. E acho que nem ela ou a família dela vão se importar se eu disser que quando pediram para ela dizer para que serviria o dinheiro, ela disse que era porque o avô morreu e sua família não tinha direito para fazer um bom funeral."

"First They Killed My Father" é uma produção original da Netflix dirigida por Angelina Jolie e que imerge no Camboja da segunda metade da década de 1970, durante o governo ditatorial do Khmer Vermelho. O longa é baseado no livro homônimo da ativista de direitos humanos Loung Ung e acompanha o relato de sobrevivência da escritora ao regime, que governou o país asiático entre 1975 e 1979. Um dos sete filhos de um alto funcionário do governo, ela viveu uma vida privilegiada na capital cambojana de Phnom Penh até os cinco anos. Em abril de 1975, o exército de Pol Pot entrou na cidade, forçando a família a fugir e, eventualmente, a se dispersar


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