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  • 28/07/2017
  • 16:56
  • Atualização: 18:15

Angelina Jolie é criticada por método utilizado para definir elenco de novo filme

Nas redes sociais, usuários classificaram como chantagem emocional técnica usada em "First They Killed My Father"

Produzido para a Netflix, longa conta somente com atores cambojanos | Foto: Pax Thien Jolie-Pitt / Divulgação / CP

Produzido para a Netflix, longa conta somente com atores cambojanos | Foto: Pax Thien Jolie-Pitt / Divulgação / CP

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  • Correio do Povo

Embaixadora da Boa Vontade do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados, Angelina Jolie está sendo criticada das redes sociais pela forma como selecionou o elenco de seu novo filme, "First They Killed My Father". Em entrevista à revista Vanity Fair, a atriz, que dirige o longa sobre o genocídio do Camboja, contou que procurou por crianças em orfanatos, circos e escolas de favelas para fazerem parte da produção da Netflix. A equipe criou um "jogo" que envolvia dinheiro e apelo emocional.

Eles colocavam uma quantia em uma mesa e pediam para a criança pensar em como gastaria tal valor. O montante era então retirado, com o objetivo de provocar algum tipo de reação, esperando que a criança "roubasse" a grana para que inventasse uma desculpa após ser "pega". Na entrevista, Jolie lembra a história do "teste" para interpretar a protagonista Loung Ung, cujo livro de mémorias homônimo ao filme serve de base para a película. "Srey Moch (a menina escolhida para o papel) foi a única criança que olhou o dinheiro por muito, muito tempo. Quando ela foi forçada a devolver, ficou sobrecarregada de emoções. Quando foi questionionada para o que o dinheiro era, ela disse que seu avô havia morrido, e eles não tinham dinheiro suficiente para um bom funeral", revelou.

"Essa conexão autêntica com a dor foi despertada em todos os envolvidos", disse Jolie, fazendo no filme algo que ela jamais havia visto. "Não havia uma pessoa que estivesse trabalhando no filme que não tinha uma conexão pessoal. Eles não estavam indo para fazer um trabalho. Eles estavam fazendo aquilo pelas pessoas que haviam perdido em sua família, e foi por respeito a isso que eles recriariam a história do genocídio", contou. A atriz e ativista dos Direitos Humanos de 42 anos também disse que "alguns tiveram flashbacks e pesadelos".

"Por esta razão, um terapeuta estava no set todos os dias. E então havia os espectadores ímpares que não tinham consciência de que um filme estava sendo feito e estavam traumatizados". Em uma cena, lembra, "quando o Khmer Vermelho (partido comunista que liderou o Cambodja entre 1975 e 1979) veio sobre a ponte, tivemos algumas pessoas que realmente caíram de joelhos e lamentaram. Ficaram horrorizados ao vê-los voltar", contou.

Pelo Twitter, usuários criticaram a utilização do método, classificando-o como cruel e explorador, sendo que alguns consideraram ainda esta uma forma de abuso emocional. "Por que Angelina Jolie sujeitaria crianças empobrecidas a esse esquema cruel?", questionou o jornalista Yashar Ali, da New York Magazine.

"Por que no inferno estavam Angelina Jolie e companhia traumatizando crianças cambojanas pobres para definir seu elenco? Como isso é válido de aplauso?", questionou a ativista Shanelle Little. "Angelina Jolie realmente jogou um jogo psicológico com crianças empobrecidas ao invés de, você sabe, apenas fazendo a audição como uma pessoa normal", comentou um usuário chamado Ellie.