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  • 05/10/2017
  • 12:39
  • Atualização: 13:00

"Blade Runner 2049" respeita a origem e renova o clássico

Filme dirigido por Denis Villeneuve é uma sequência digna de um clássico cult do cinema

Longa traz novamente Harrison Ford entre os replicantes  | Foto: Divulgação / CP

Longa traz novamente Harrison Ford entre os replicantes | Foto: Divulgação / CP

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  • Lou Cardoso

"Blade Runner 2049" é um ótimo exemplo de como reviver um clássico do cinema e dar uma continuidade digna e respeitosa. O filme dirigido por Denis Villeneuve estreia nesta quinta-feira resgatando toda a nostalgia dos fãs do cult "Blade Runner", lançado lá em 1982, e trazendo uma nova aventura, desta vez com Ryan Gosling caçando replicantes que ameaçam, novamente, a humanidade que está em completo caos.

Após a falência da Corporação Tyrell, a empresa de Niander Wallece (Jared Leto) é a responsável pela criação de uma nova série mais obediente de androides, como é o caso do policial K (Gosling), o que torna os modelos antigos um alvo para serem "aposentados" da sociedade. Entretanto, em uma das suas missões, K descobre um perigoso segredo que pode causar uma revolução entre estes androides sentimentalistas. O que logo desperta mais uma caça ao único especialista no assunto: ninguém menos que Rick Deckard (Harrison Ford).

Este longa possui a receita perfeita para o sucesso de uma sequência que demorou 35 anos para retornar às telas. A principal delas é ter seu primeiro realizador, Ridley Scott, que assina a produção executiva, entre os integrantes da equipe. Isso porque tudo que você viu no primeiro filme segue fielmente nesta continuação: o futuro sombrio e cada vez mais pessimista, os cenários sujos e superpopulosos, questionamentos filosóficos sobre a vida, o afeto entre dois seres superficiais, enfim, referências que se tornam frescas com a narrativa lenta que Villeneuve também adotou no longa. Até mesmo o suspense com toques noir em meio as investigações demonstram que o tempero continua o mesmo, só a execução do prato que ganhou um novo chef.

O diretor Denis Villeneuve soube aproveitar estes elementos para renovar não só a estética, mas também o conteúdo da história que explora mais sobre a implantação de memórias e deixa mais pontas soltas para o público amarrar. Outro ponto positivo do filme é a grande diversidade visível na distribuição dos personagens, inclusive entre as mulheres presentes no longa. Não existe apenas a mocinha que é interesse amoroso do protagonista, que é o caso de Joi (Ana de Armas), que representa, espiritualmente, a companheira de K durante a trama, mas tem até a intimidadora Luv (Sylvia Hoeks), lutando de igual para igual com o protagonista.

E para completar o time feminino, a chefe Lieutenant Joshi (Robin Wright) que se mostra tão inteligente e forte como qualquer outro homem em seu posto, mas com o respeito que poucos conseguem impor. Estas pequenas conquistas podem passar despercebidas, mas são representatividades como estas que dão um novo gás ao cinema. Principalmente quando se quer caminhar para um futuro diferente e inovador como é o caso desta história.

Ryan Gosling assume conscientemente a sua posição de replicante. Ele tem aquela carência e melancolia, que com o seu rostinho apenas influencia a nossa simpatia com o personagem, mas demonstra perfeitamente como toda pessoa está sempre em busca de algo real para sua vida. O trabalho do ator é propositalmente contido e igualmente satisfatório.

Já Jared Leto finalmente faz as pazes com um filme bom e atuação perfeita. Ele é o novo pai destes androides que procura a perfeição entre seus "anjos". Ele aparece pouco, mas o suficiente para provar mais uma vez a sua veia maligna.

E como em "Star Wars VII: O Despertar da Força", Harrison Ford é a grande expectativa do público que deseja ver o herói em cena. Vê-lo de volta, mais uma vez em um papel que marcou sua carreira, tem um gosto especial e faz valer a pena para quem esperou por todos estes anos para saber o que realmente aconteceu entre Deckard e Rachael. Será que ele vai revelar se é um replicante ou não? Como ele sobreviveu? Será que ele fez mais um filho por aí?

"Blade Runner" pode não ter sido tão valorizado na sua época de lançamento, mas todos estes anos apenas lhe fizeram bem culturalmente. O que comprova que o tempo é o melhor remédio para um filme. "Blade Runner 2049" o agradece.

Assista ao trailer:


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